A Moody’s e a Ascensão do Crédito Privado no Brasil
A ascensão do crédito privado está impulsionando a presença da Moody’s no Brasil. Diante da elevação na taxa básica de juros, responsável por aumentar o temor das empresas e investidores quanto ao custo da dívida, a agência de risco tem expandido sua operação de rating loca.
Em 2021, a agência instalou o seu escritório no Brasil, um dos únicos na América Latina, com a ideia de fortalecer a análise de rating para atender à demanda de investidores privados e aqueles com alocação exclusiva em companhias brasileiras. “Percebemos que havia a necessidade de uma metodologia específica de rating para que [esses investidores] possam avaliar a solvência de companhias brasileiras comparadas umas com as outras”, disse a CFO global da Moody’s, Noémie Heuland, em entrevista ao InfoMoney.
Os ratings de empresas locais tem sido uma das principais chaves de crescimento para a Moody’s, tradicionalmente reconhecida pelos ratings de dívidas e títulos soberanos, fora dos Estados Unidos. Na América Latina, a empresa já cobre 13 mercados que representam 80% do PIB.
Em um relatório publicado em outubro de 2024, a Moody’s elevou a nota do Brasil, o que aproximou o País do grau de investimento. O documento destacava, no entanto, que o custo da dívida seguia como o ponto central de risco, diante da elevação da taxa básica de juros no Brasil. “Pensando nas conversas que tenho com investidores, que querem entender nosso negócio de classificação, o que realmente importa para eles e as empresas é o custo geral da dívida”, aponta Heuland.
Segundo Heuland, ainda é cedo para entender os impactos da guerra comercial em curso no mundo na gestão financeira das companhias. Nos últimos meses, o presidente americano Donald Trump tem elevado tarifas para determinados setores econômicos, o que causou reações reciprocas de outras economias.
O cenário mais incerto aumenta a demanda pelos serviços de rating e análise produzidos pela Moody’s. “Nosso papel é tentar atravessar o ruído e sentar com nosso emissor ou especialistas da indústria para entender o impacto dessas leis e regulamentações específicas para o crédito”, conta Heuland.
Júlio Rossato